terça-feira, 21 de agosto de 2012

A internet e o espelho dos egos... para além existe mais informação!



A internet, enquanto ferramenta, a cada ano se mostra cada vez mais usual, utilizada como fonte de informação, mas será que todos ao pesquisarem tem acesso as mesmas respostas?
Bom, ao julgar que a internet ainda não é ferramenta usual para a maior parte da população, no Brasil, entende-se a partir daí que as informações nela presente são pra poucos. A medida que a interação que esta pode proporcionar também.
Então está posta uma problemática acerca do acesso a informação.
Por isso precisamos elucidar que no Basil  a popularização do PC (Personal Computer), e dos outros aparelhos com conexão, só está acontecendo a poucos anos com incentivos do governo, com o aumento das linhas de crédito e maior poder de compra da população, no entanto a internet banda larga ainda possui velocidades muito ínfimas de transferência de dados e mesmo assim muito cara para os parâmetros dos EUA e da EUROPA, o que traz a reflexão de quem seriam os usuários dessa rede? E como estariam utilizando essa rede?
Uma coisa posso afirmar, o mercado dos sites de busca e relacionamento já estão munidos de diversos filtros que selecionam as informações nas buscas e até mesmo nos comentários de amigos que concordam e/ou discordam de suas opiniões. 
Dessa forma devemos começar algumas simples reflexões quanto ao serviço e uso dessa ferramenta! Como a quem tem servido a internet? E qual é a internet que queremos? Sabemos utilizar a internet?Nós enquanto usuários deveríamos conhecer melhor como funcionam os sites e a grande rede a qual chama-se de internet,  para aprender a extrair mais informações e não aquelas que os sites de busca nos fornecem com seus diversos filtros como dito pelo autor Eli Pariser no seu livro "O filtro invisível: o que a internet está escondendo de você" observa-se a partir desta leitura as ferramentas que sites de busca disponibilizam para o cerceamento da informação a qual se pode ter acesso, e para além, também através dos trabalhos do Prof. Dr. Hindemburgo Francisco Pires quando fala da concessão dos EUA, relacionando a localização geográfica dos servidores no mundo e quem tem acesso a toda informação em rede. De modo que temos um claro sinal que tudo pode estar sendo "filtrado" para o consumo de uma informação patrocinada. 
Sendo assim entendo que a internet deixa por hora de ser uma ferramenta de ampla abertura de debate e reflete o espelho dos egos daqueles que a acessam. De modo que é difícil criar um local de debate de ideias, e pessoas que de fato as façam em rede, e desrespeitam-se muitas vezes mascarando-se atrás de falsas identidades que multiplicam perfis "fantasmas"  e abarcam uma multiplicidade cada vez mais cega diante do vasto hipertexto que compõe a internet.
Então como ver além daqueles que são reflexos daquilo que concordamos?  A reflexão torna-se iminente, e CASTELLS coloca uma citação de MITCHEL em seu livro "Galáxia da internet" que diz que "O poder do lugar ainda prevalecerá... Ambientes físicos e cenários virtuais funcionarão de maneira interdependente e na maioria das vezes usaremos redes para evitar lugares. Outras, porém, continuaremos indo a lugares para nos interconectar." (MITCHELL, 2000, p.155 apud CASTELLS, 2001, p. 195) ou seja, se temos o desejo de nos conectar, precisamos antes nos interconectar para criar novas conexões e assim dinamizar e ampliar a divulgação e troca de informação! Então apresenta-se a dinamização de um debate que por vezes não ocorre nas redes sociais por que sua maioria possui um discurso próximo ao seu, e por vezes fadados aos concordismos e mensagens repetitivas.
E por isso saber utilizar as redes é de extrema importância, e reconhecer-se nela também de maneira a não permitir-se enganar pelas armadilhas que possui, compreendendo que não é "TODO MUNDO" que está no seu perfil! As pessoas que você conhece NÃO são a maioria... e por isso não estranhe se aquilo que você ouvia/lia nas redes se der de maneira totalmente diferente no cotidiano. Isso é só mais uma prova de que a lógica das respostas não está nas redes, mas elas podem ser utilizadas enquanto ferramentas para promover encontros e discussões, quando bem utilizadas.
Por isso, estas breves provocações para repensarmos o uso que temos dado as ferramentas que o mundo em rede nos oferece. Pensando também de que formas a (re)produção do espaço geográfico, seus conceitos e categorias são pensados posto que as tecnologias de informação e comunicação se fazem tão importantes na construção deste espaço como afirma SANTOS (1996) "Da mesma forma como participam da criação de novos processos vitais e da produção de novas espécies (animais e vegetais), a ciência e a tecnologia, junto com a informação, estão na própria base da produção, da utilização e do funcionamento do espaço e tendem a construir o seu substrato. (SANTOS, 1996 p.238)".
Assim eu fecho este texto convocando o debate que se faz mais do que necessário! Quanto a temas que envolvem a produção do espaço e suas categorias e conceitos, TIC's e democratização dessas ferramentas no cotidiano! Grande abraço a TOD@S...

sábado, 28 de julho de 2012

Considerações acerca desta página!

Car@s colegas, até o momento novos textos ainda não foram postados, pois estamos em processo de avaliação e discussão de parâmetros de atuação e construção coletiva desta página! Convido a tod@s para contribuir com idéias para orientarmos nossos temas, discussão e debate!

Você pode fazer contato através da ouvidoria no canto direito da página do blog, enviando sugestões, considerações para a construção dos debates desta página, afim de fazer uso desta enquanto ferramenta para a produção do conhecimento e discussão de temas e conceitos geográficos!

Façam bom uso desta ferramenta!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Por um (Ciber)Espaço geográfico: A Geografia e a tomada por paradigmas conceituais.


Para nosso primeiro texto do ano, iremos aprofundar um pouco mais nossas reflexões e compreensão dos conceitos que trabalhamos e o papel da Geografia na apropriação e uso destes conceitos! As reflexões que faremos não terão a pretensão de colocar em cheque hegemonias conceituais, mas serão norteadas por desafios reflexivos que submergem das necessidades de compreensão do que poderia ser mais um conceito geográfico e que no entanto não tem sido tão desenvolvido nas perspectivas do olhar da Geografia.
Ciberespaço, quando nos deparamos com esta palavra não encontramos conclusões que conceituem o que de fato seria esse ciberESPAÇO, e para entender isso temos que compreender a origem dessa palavra afim de tentar sintetizar o que ela pode nos traduzir. "O ciberespaço foi um termo criado pelo escritor de ficção científica Willian Gibson, sendo projetado em seu livro Neuromancer, de 1984. Desta maneira o autor trata de um real que se constitui por meio do engendramento de um conjunto de tecnologias, enraizadas de tal forma na vida em sociedade que lhe modifica as estruturas e princípios, transformando o próprio homem, que sujeito histórico torna-se objeto de uma realidade virtual que os conduz e determina."( CONTIJO, MENDES-SILVA, VIGGIANO, PAIXÃO, TOMASI ) Fato é que não estamos imersos em uma realidade virtual que determina, ou ao menos não nos demos conta disso, ainda!
No entanto devemos compreender que a partir dessa "conceituação" do vir a ser, tornou-se o que muitos denominam hoje como internet e desdobram e apresentam como ciberespaço, desta maneira é importante compreender como é empregado o termo ciberespaço pois alguns autores como (JUNGBLUT 2004) afirma que "é preciso, em primeiro lugar, distinguir o ciberespaço de redes telemáticas, pois há uma confusão conceitual posta em curso. A telemática traduz a CMC, ou seja, a comunicação à distância via informática. Já o ciberespaço é um ambiente virtual que se utiliza destes aparatos da comunicação para o estabelecimento de relações virtuais. Obviamente que, do ponto de vista técnico o ciberespaço demanda hardwares em interconexão no formato de rede, além dos programas-softwares, que fazem possível a fluidez informacional, explicita o autor. Apesar da NET ser o principal ambiente do ciberespaço, devido a sua popularização e sua natureza de gigantesco hipertexto, o ciberespaço também pode ocorrer na relação do homem com outras tecnologias, como celular, pagers, comunicação entre rádios-amadores e por serviços do tipo "tele-amigos", por exemplo." (JUNGBLUT,2004; GUIMARÃES JR.,1999)
Norteando essas compreensões e visões sobre o ciberespaço, me pergunto. E a Geografia? Onde estão as possíveis análises Geográficas no que demos conta de conhecer como ciberESPAÇO?
Nas palavras do Prof. Dr. Hindemburgo F. Pires existe uma Cibergeografia que ele sintetiza na sua página com o seguinte texto: "A cibergeografia ou o estudo do ciberespaço, segundo o olhar da Geografia, constitui um esforço recente que vem se expandindo e se consolidando rapidamente, impulsionado principalmente pela necessidade de se estabelecer as bases conceituais que expliquem e elucidem como essa estrutura de redes, através também da internet, afeta e é influenciada pela dinâmica territorial produzidas com o crescimento de e-commercer e de atividades eletrônicas.
Segundo Martin Dodge e Rob Kitchin no livro “Mapping Cyberspace”, o termo ciberespaço significa literalmente “espaço navegável” e é derivado da palavra grega Kyber (Navegar). (...) Assim como o ciberespaço, a internet é um dos meios que exemplifica como as novas mídias afetam a nossa percepção de tempo e de espaço.
A ciência geográfica também vvem se empenhando em elucidar e desmistificar todas as tentativas ideologizantes de dissimulação da “natureza” do ciberespaço." (PIRES.F. Hindemburgo; in cibergeo.org.br <05/04/2012 às 19:41>). E dentro dessa perspectiva o mesmo também fala em "Geografia das redes"e "Geografia em rede" considerando a diferença entre as análises. Sobre a "Geografia das redes" ele afirma:             
"Esta perspectiva vem se caracterizando pelos estudos sobre: gênese e tipologia das redes; técnica e tecnologia empregadas (techné); arquitetura e topologia de redes (physis); políticas públicas e planejamento de redes no território. O objetivo é analisar, desvendar e mapear quais são as: origens, articulações, relações e funções, que condicionam a sua presença no espaço, ou seja, a idéia principal é “geografizar a rede” de objetos e atividades.
No Brasil, existe uma diversidade extraordinária de enfoques teóricos-metodológicos nas pesquisas sobre Geografia das Redes e uma longa e extraordinária tradição de pesquisa (Miguel Angelo Ribeiro, 2000), a quase maioria desses enfoques assume um caráter mais ontológico buscando compreender a origem, a forma, a estrutura, a função e a organização das redes no território.
Esta perspectiva é representada pelos seguintes pesquisadores e campos temáticos de estudo: Pedro Pinchas Geiger, evolução da rede urbana brasileira (1963); Roberto Lobato Corrêa, rede urbana (1988, 1994); Helena Kohn Cordeiro, rede nacional de telex e mudanças na localização das sedes bancárias no centro de São Paulo (1989, 1992); Milton Santos, urbanização brasileira e a geografia das redes (1993, 1996); Milton Santos e Maria Laura Silveira, redes e estruturas de engenharia do Brasil (2001); Leila Christina Dias, redes de telecomunicações e redes bancárias (1992, 1995a, 1995b,1996, 2005), Eliseu Savério Sposito, redes urbanas (2006).
Dentro da perspectiva da Geografia das Redes, sobre fases de estruturação do ciberespaço no Brasil, as idéias de Milton Santos foram uma fonte permanente de inspiração para o estudo da formação das redes tecnológicas e acadêmicas." (PIRES.F. Hindemburgo; in cibergeo.org.br <05/04/2012 às 19:41>)
Quanto a "Geografia em rede" ele afirma: "
Esta perspectiva tem se caracterizada pelo desenvolvimento de pesquisas sobre: redes sociotécnicas; redes acadêmicas e científicas; práxis nas redes: colaborativas e pedagógicas; usos sociais das redes: produção, difusão e apropriação social do conhecimento (logos).
O objetivo do estudo da Geografia em Redes é estudar como se articula e se organiza o saber geográfico através de uma rede e como são estabelecidos os mecanismos de representação e de coesão de indivíduos e grupos em rede, ou seja, a idéia é “geografizar em rede” e difundir novos valores do conhecimento.
A Geografia em Redes possuem um enfoque metodológico mais orientado à compreensão da natureza dos processos que interferem ou possibilitam a organização social e a difusão do conhecimento em rede. Os pesquisadores desta vertente admitem que uma nova forma de produção coletiva na rede esteja fortalecendo a produção autônoma de conhecimentos, a partir de redes sociais de colaboração, são exemplos desta nova práxis as seguintes iniciativas: wikipédia; comunidade Linux;  public knowledge project; youtube; flickr; projeto genoma; indimedia; second life, my space, etc.
A Geografia em rede é a geografia que se faz com uso de recursos de mediação tecnológica disponíveis na Internet. Esta modalidade de produzir a Geografia aos poucos está se fortalecendo e se formalizando, nas instituições de ensino superior do Brasil." (PIRES.F. Hindemburgo; in cibergeo.org.br <05/04/2012 às 19:41>)
Após essas breves ilustrações do que e para que a Geografia contribui e pode contribuir ainda mais na construção, produção e reprodução do ciberespaço é que me coloco inclinado a compreender de quais maneiras o Espaço e seus desdobramentos se configuram nas redes de modo que ainda existem muitas reflexões a serem realizadas a cerca do assunto e enquanto Geógrafos, temos que estar atentos na inflexões que o ciberespaço tem nos submetido cotidianamente através de seu uso. Mas isso é assunto para outras postagens, no mais começamos o ano e temos muito trabalho pela frente, siga acompanhando, comentando e participando das nossas construções de idéias. Vamos lá mãos a obra!