quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Redes sociais e seus potenciais: comunicar e (des)articular; vetores e processos comunicativos!


Uma oportunidade surgiu, não para tod@s, infelizmente, no entanto aqueles que possuem acesso a internet tem se deparado com novas possibilidades e tem criado novas formas de se comunicar e criar sua própria informação. Através de blogs, videologs, fóruns e outros canais de mídias e redes sociais, que a muito tem sido tratado como uma nova oportunidade para sairmos do clichê que nos é apresentado através das mídias hegemônicas, com a indústria da comunicação controlada por poucos e com um claro interesse. Porém, não nos deixemos cair em armadilhas que o senso comum nos coloca, que a internet é livre, que podemos encontrar tudo, falar o que quisermos e que através dela faremos o mundo mudar! É, sinto dizer, mas vocês está fazendo isso errado! A internet é um canal que com o bom uso, pode sim trazer benefícios e articular transformações, mas também pode ser traiçoeiro, quando nos faz pensar que somos livres e que temos acesso as informações sem filtros. E por isso acabamos por desarticular debates que não saem do ambiente virtual, simplesmente por não compreendermos o funcionamento deste.  No entanto quando falamos sobre poder de articulação, as redes sociais podem ser grande artifício, se utilizada de forma correta. Pois devido aos filtros somos levados a pensar que "tod@s" possuem pensamentos convergentes aos nossos e curtem e participam de coisas que são de interesses próximos. Seria tão bom se fosse realmente assim não é verdade? Entretanto, com as mudanças dos momentos econômicos e políticos no Brasil e no mundo, percebemos que não é bem assim! Não é verdade? Debates polarizados, ideias debatidas com muito calor e por vezes ódio a sua oposição, com ruptura de laços virtuais com um simples unfollow ou com rupturas consideradas mais "graves" como "desfazer amizades" em redes sociais. Contudo o cenário que  encontramos é de aparente descontrole dos múltiplos afetos construídos pelas redes sociais, onde observa-se a busca por discussões sem contraditores em que as falas diversas se tornam desencontros mau interpretados. Desta maneira podemos pontuar que a internet pode se fator de articulação e também de desarticulação, quando o uso da mesma passa a ser condicionado e se restringe exclusivamente as trocas de fluxos virtuais. Ao modo que com pode se articular e desarticular em velocidades descontínuas, maiores ou menores de acordo com o fenômeno e suas relações de afeto.  E quando esta é utilizada para articular movimentos que transportam ações para o campo da práxis, possibilitando assim apropriar-se das redes para se interconectar, como descrito por MITCHEL, parafraseando-o quando diz que as redes servem para evitar lugares, mas também para se intercomunicar.
Podemos então observar vetores e processos comunicativos se estabelecendo, a partir de uma nova ordem, onde parte de nós, deixamos de ser meros espectadores e consumidores de informação e nos tornamos produtores, transformadores e questionadores da ordem e da informação que nos é imposta goela a baixo. Podemos desta maneira mudar o sentido dos vetores no ciclo informacional e fazer com que a informação circulada na rede possa causar tanto impacto quanto o que é noticiado na tv ou em jornais, rádios e revistas. Não com o mesmo sincretismo informacional que os jornais globais nos impõe crença, mas com o poder de incitar a dúvida quanto a ordem que nos é imposta e trazer o olhar daqueles que constroem o lado do oprimido.
Desta maneira podemos sim construir uma comunicação alternativa, não como esta que também já nos traz um formato rígido pronto ao qual lhes escrevo, mas outras, que por serem nocivas a ordem que os aparelhos hegemônicos nos impõe muitas vezes, se não todas, ou quase todas elas, estão sob rédeas de outorgas que são deveras burocratizadas  com propósito de angariar-se apadrinhamento político ou sucumbir a espera da burocracia desmedidamente lenta de nosso país. Falo pois sobre as rádios piratas e web rádios, assim como formatos de redes sociais que são poucos difundidos por ainda não possuírem "livre" e fácil acesso! Por isso enxergue os formatos discuta as informações, mas também inerente aos fatos busque a diversidade dos pontos de vista, para construir melhor compreensão sobre os fatos e das leituras que realizamos nas redes.