quinta-feira, 5 de abril de 2012

Por um (Ciber)Espaço geográfico: A Geografia e a tomada por paradigmas conceituais.


Para nosso primeiro texto do ano, iremos aprofundar um pouco mais nossas reflexões e compreensão dos conceitos que trabalhamos e o papel da Geografia na apropriação e uso destes conceitos! As reflexões que faremos não terão a pretensão de colocar em cheque hegemonias conceituais, mas serão norteadas por desafios reflexivos que submergem das necessidades de compreensão do que poderia ser mais um conceito geográfico e que no entanto não tem sido tão desenvolvido nas perspectivas do olhar da Geografia.
Ciberespaço, quando nos deparamos com esta palavra não encontramos conclusões que conceituem o que de fato seria esse ciberESPAÇO, e para entender isso temos que compreender a origem dessa palavra afim de tentar sintetizar o que ela pode nos traduzir. "O ciberespaço foi um termo criado pelo escritor de ficção científica Willian Gibson, sendo projetado em seu livro Neuromancer, de 1984. Desta maneira o autor trata de um real que se constitui por meio do engendramento de um conjunto de tecnologias, enraizadas de tal forma na vida em sociedade que lhe modifica as estruturas e princípios, transformando o próprio homem, que sujeito histórico torna-se objeto de uma realidade virtual que os conduz e determina."( CONTIJO, MENDES-SILVA, VIGGIANO, PAIXÃO, TOMASI ) Fato é que não estamos imersos em uma realidade virtual que determina, ou ao menos não nos demos conta disso, ainda!
No entanto devemos compreender que a partir dessa "conceituação" do vir a ser, tornou-se o que muitos denominam hoje como internet e desdobram e apresentam como ciberespaço, desta maneira é importante compreender como é empregado o termo ciberespaço pois alguns autores como (JUNGBLUT 2004) afirma que "é preciso, em primeiro lugar, distinguir o ciberespaço de redes telemáticas, pois há uma confusão conceitual posta em curso. A telemática traduz a CMC, ou seja, a comunicação à distância via informática. Já o ciberespaço é um ambiente virtual que se utiliza destes aparatos da comunicação para o estabelecimento de relações virtuais. Obviamente que, do ponto de vista técnico o ciberespaço demanda hardwares em interconexão no formato de rede, além dos programas-softwares, que fazem possível a fluidez informacional, explicita o autor. Apesar da NET ser o principal ambiente do ciberespaço, devido a sua popularização e sua natureza de gigantesco hipertexto, o ciberespaço também pode ocorrer na relação do homem com outras tecnologias, como celular, pagers, comunicação entre rádios-amadores e por serviços do tipo "tele-amigos", por exemplo." (JUNGBLUT,2004; GUIMARÃES JR.,1999)
Norteando essas compreensões e visões sobre o ciberespaço, me pergunto. E a Geografia? Onde estão as possíveis análises Geográficas no que demos conta de conhecer como ciberESPAÇO?
Nas palavras do Prof. Dr. Hindemburgo F. Pires existe uma Cibergeografia que ele sintetiza na sua página com o seguinte texto: "A cibergeografia ou o estudo do ciberespaço, segundo o olhar da Geografia, constitui um esforço recente que vem se expandindo e se consolidando rapidamente, impulsionado principalmente pela necessidade de se estabelecer as bases conceituais que expliquem e elucidem como essa estrutura de redes, através também da internet, afeta e é influenciada pela dinâmica territorial produzidas com o crescimento de e-commercer e de atividades eletrônicas.
Segundo Martin Dodge e Rob Kitchin no livro “Mapping Cyberspace”, o termo ciberespaço significa literalmente “espaço navegável” e é derivado da palavra grega Kyber (Navegar). (...) Assim como o ciberespaço, a internet é um dos meios que exemplifica como as novas mídias afetam a nossa percepção de tempo e de espaço.
A ciência geográfica também vvem se empenhando em elucidar e desmistificar todas as tentativas ideologizantes de dissimulação da “natureza” do ciberespaço." (PIRES.F. Hindemburgo; in cibergeo.org.br <05/04/2012 às 19:41>). E dentro dessa perspectiva o mesmo também fala em "Geografia das redes"e "Geografia em rede" considerando a diferença entre as análises. Sobre a "Geografia das redes" ele afirma:             
"Esta perspectiva vem se caracterizando pelos estudos sobre: gênese e tipologia das redes; técnica e tecnologia empregadas (techné); arquitetura e topologia de redes (physis); políticas públicas e planejamento de redes no território. O objetivo é analisar, desvendar e mapear quais são as: origens, articulações, relações e funções, que condicionam a sua presença no espaço, ou seja, a idéia principal é “geografizar a rede” de objetos e atividades.
No Brasil, existe uma diversidade extraordinária de enfoques teóricos-metodológicos nas pesquisas sobre Geografia das Redes e uma longa e extraordinária tradição de pesquisa (Miguel Angelo Ribeiro, 2000), a quase maioria desses enfoques assume um caráter mais ontológico buscando compreender a origem, a forma, a estrutura, a função e a organização das redes no território.
Esta perspectiva é representada pelos seguintes pesquisadores e campos temáticos de estudo: Pedro Pinchas Geiger, evolução da rede urbana brasileira (1963); Roberto Lobato Corrêa, rede urbana (1988, 1994); Helena Kohn Cordeiro, rede nacional de telex e mudanças na localização das sedes bancárias no centro de São Paulo (1989, 1992); Milton Santos, urbanização brasileira e a geografia das redes (1993, 1996); Milton Santos e Maria Laura Silveira, redes e estruturas de engenharia do Brasil (2001); Leila Christina Dias, redes de telecomunicações e redes bancárias (1992, 1995a, 1995b,1996, 2005), Eliseu Savério Sposito, redes urbanas (2006).
Dentro da perspectiva da Geografia das Redes, sobre fases de estruturação do ciberespaço no Brasil, as idéias de Milton Santos foram uma fonte permanente de inspiração para o estudo da formação das redes tecnológicas e acadêmicas." (PIRES.F. Hindemburgo; in cibergeo.org.br <05/04/2012 às 19:41>)
Quanto a "Geografia em rede" ele afirma: "
Esta perspectiva tem se caracterizada pelo desenvolvimento de pesquisas sobre: redes sociotécnicas; redes acadêmicas e científicas; práxis nas redes: colaborativas e pedagógicas; usos sociais das redes: produção, difusão e apropriação social do conhecimento (logos).
O objetivo do estudo da Geografia em Redes é estudar como se articula e se organiza o saber geográfico através de uma rede e como são estabelecidos os mecanismos de representação e de coesão de indivíduos e grupos em rede, ou seja, a idéia é “geografizar em rede” e difundir novos valores do conhecimento.
A Geografia em Redes possuem um enfoque metodológico mais orientado à compreensão da natureza dos processos que interferem ou possibilitam a organização social e a difusão do conhecimento em rede. Os pesquisadores desta vertente admitem que uma nova forma de produção coletiva na rede esteja fortalecendo a produção autônoma de conhecimentos, a partir de redes sociais de colaboração, são exemplos desta nova práxis as seguintes iniciativas: wikipédia; comunidade Linux;  public knowledge project; youtube; flickr; projeto genoma; indimedia; second life, my space, etc.
A Geografia em rede é a geografia que se faz com uso de recursos de mediação tecnológica disponíveis na Internet. Esta modalidade de produzir a Geografia aos poucos está se fortalecendo e se formalizando, nas instituições de ensino superior do Brasil." (PIRES.F. Hindemburgo; in cibergeo.org.br <05/04/2012 às 19:41>)
Após essas breves ilustrações do que e para que a Geografia contribui e pode contribuir ainda mais na construção, produção e reprodução do ciberespaço é que me coloco inclinado a compreender de quais maneiras o Espaço e seus desdobramentos se configuram nas redes de modo que ainda existem muitas reflexões a serem realizadas a cerca do assunto e enquanto Geógrafos, temos que estar atentos na inflexões que o ciberespaço tem nos submetido cotidianamente através de seu uso. Mas isso é assunto para outras postagens, no mais começamos o ano e temos muito trabalho pela frente, siga acompanhando, comentando e participando das nossas construções de idéias. Vamos lá mãos a obra!